Perseguição

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Perseguição

Antiga fábula relata que uma cobra perseguia tenazmente um vaga-lume que de todas as formas procurava escapar, até que o apavorado inseto, após vários dias de fuga, já sem forças e não vendo perspectiva de a perseguição cessar, interpelou o réptil perguntando: “Por que me persegue se não sou alimento para você e não lhe fiz nenhum mal?” Ao que a cobra respondeu: “Porque não suporto o brilho da sua luz!” E o apóstolo Paulo explica a razão da perseguição injusta e insana a que muitas vezes somos submetidos, ensinando em 2 Coríntios 4.4 (NVI) que O deus desta era cegou o entendimento dos descrentes, para que não vejam a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.

Mas, se os ímpios não suportam a luz de Cristo, por outro lado, são numerosas na Bíblia as menções sobre o fato supremamente auspicioso de que Deus sempre ampara os Seus que sofrem perseguição, tomando em Suas Todo-Poderosas mãos o encargo de lutar pelos que O servem, por aqueles a quem ama, como Jesus tão afetuosamente considerou em Mateus 23.37 (ARA), registrando a doce expressão figurada, “… como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas”.

Em Deuteronômio 20.4 (ARA), em torno do ano 1.400 a.C., por exemplo, Moisés já encorajava fortemente os israelitas, dizendo que no enfrentamento ao inimigo, mesmo que mais numeroso e bem equipado, não deveriam se atemorizar, porque o Senhor estaria com eles,  assegurando que “… o SENHOR, vosso Deus, é quem vai convosco a pelejar por vós contra os vossos inimigos, para vos salvar. Igualmente em Jeremias 1.91, Zacarias 14.3, Neemias 4.20 e Apocalipse 17.14, a promessa de que Deus sempre defenderá os Seus daqueles que os odeiam, se repete.

Assim, não pode haver dúvida para aqueles que creem verdadeiramente em Deus e confiam em Suas promessas, que em Cristo Jesus “… somos mais que vencedores…”, como Paulo ensina em Romanos 8.37 (ARA), não importa o que intentem nossos inimigos, nem o poder com que possam contar, porque é o Todo-Poderoso que luta por nós, a quem Davi clamou no Salmo 35 e nós também clamamos, segundo a paráfrase a seguir, rogando: “Senhor, vem em minha defesa contra aqueles que intentam o mal contra mim, porque Tu és o meu Salvador em quem confio e em quem a minha alma se regozija. Que os meus inimigos sejam por Ti fragorosamente derrotados, que seus caminhos sejam tenebrosos e escorregadios, e que, como a palha impelida pelo vento, sejam para sempre dispersados para longe de mim. Sei que é por Tua misericórdia sem fim que vens em meu socorro para livrar-me dos poderosos antagonistas que se levantam para praticar injustiças contra mim que, ainda assim, por eles intercedo, rogando que não lhes imputes nenhum pecado cometido contra mim, porque não sabem o que fazem, como demostraram quando lhes propus paz e perdão mútuo e fui rechaçado com zombarias. Sei que eles se alegram com o mal que cometem contra mim, e prosseguem em sua cruel empreitada de impor-me flagelos, então permita-me, Senhor, humildemente perguntar-Te: até quando terei que suportar tão duras provações? Não me abandones, Senhor, não Te ausentes de mim, faze justiça ao Teu servo, e dá-me a vitória sobre aqueles que, agindo segundo torpes desígnios insuflados por satanás através de falsos ídolos, ousam afrontar-Te, a Ti que és o Senhor dos senhores, o Rei dos reis, o Todo-poderoso a quem eles desconhecem. Mas Teu juízo não tarda e, quando forem estrondosamente vencidos, finalmente serão obrigados a reconhecer que só Tu és digno de todo o louvor, de toda a honra e de toda a glória, e então eu Te exaltarei e celebrarei aTua justiça todos os dias de minha existência porque és fiel às Tuas promessas e Te deleitas com a felicidade de Teu servo!”

As bem-aventuranças contidas no capítulo 5 do Evangelho de Mateus (NVI), descrevem a condição interior que um seguidor de Cristo deve cultivar, com promessas de felicidade sem par no futuro, apesar de que no presente talvez sejam alvos de aflições diversas, como no verso 4, quando Jesus afirma que são Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados; no verso 6, diz que são Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos; no verso 10, assevera que são Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus, e nos versos 11 e 12, sustentando que Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês. Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus…”. É preciso compreender que bem-aventurança não é um estado de felicidade superficial, mas um profundo e duradouro regozijo reservado aos filhos de Deus, e fundado não nas posses materiais, e sim naquilo que vai em seu coração.

Em maior ou menor escala, todos os cristãos enfrentam sofrimentos, porém Jesus em João 16.33 (ARA), nas magníficas e tão conhecidas palavras de conforto, afiança que “… No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo, e Davi, no Salmo 34.19 (ARA), nos consola ao ponderar, para nossa alegria, que Muitas são as aflições do justo, mas o SENHOR de todas o livra.

Precisamos também ter sempre em mente o lenitivo que Paulo em 2 Coríntios 4.17 (ARA) nos traz ao assegurar que “… a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação…”. Observemos que, quando ele fala de leve e momentânea tribulação, refere-se ao sofrimento normal a que todos estão sujeitos, cristãos ou não, com a diferença crucial de que nós que estamos em Cristo temos a Ele para nos sustentar, consolar e carregar nosso fardo, e o apóstolo Pedro em 1 Pedro 5.7 instrui sobre o que fazer quando nos assalta a aflição: Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós. Ou seja, embora nada mereçamos, Ele Se importa com nossa situação e circunstâncias!

Por isso, se hoje pesa-nos sobre os ombros difícil fardo de dor, angústia e insegurança, Jesus nos convida em Mateus 11.28 (ARA) a lançá-lo sobre Ele, dizendo: Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei, e complementando nos versos 29-30 com a amorosa convocação: Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve. Este esplêndido chamado deve nos fazer compreender que servir a Jesus significa também ter o privilégio inominável de carregar Seus leves fardo e jugo, ao invés sermos obrigados a suportar as pesadas cargas que carregaríamos sem Seu abençoado amparo.

É preciso que busquemos permanentemente a Deus em oração rogando pela Sua direção perfeita, e não apenas quando sofremos, para que possamos estar sintonizados com a Sua vontade infalível e agirmos em consonância com ela, jamais deixando-nos levar pela nossa imperfeita, falha e limitada volição que encontra tantas circunstâncias impossíveis, enquanto para o nosso Deus Todo-Poderoso, como Jesus deixou claro em Lucas 18.27 (ARA), Os impossíveis dos homens são possíveis para Deus.

E não deixemos de agradecer profundamente a Deus as aflições que nos acometem, porque elas têm importante função no nosso processo de santificação, pois além de provarem nossa fé, produzem importantes aprendizado e amadurecimento, moldando nosso caráter, temperamento e emoções, além de ampliar-nos a sabedoria.

Supliquemos a Deus por misericórdia e força enquanto temos que suportar as perseguições, na certeza de que elas são permitidas segundo um plano muito maior que muitas vezes foge à nossa limitada compreensão, e em tudo demos graças porque Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.

Senhor, Tu prometes amparar os perseguidos e julgar os perseguidores que não se arrependerem do mal que praticam, por isso oramos como Davi, certos de que farás justiça aos Teus que padecem nas mãos de cruéis inimigos, e darás a eles, no momento oportuno, a paga por seus atos vis. Assim oramos no nome santo de Jesus, agradecendo por Teu amor por nós. Amém.

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