AINDA QUE…

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AINDA QUE…

Ainda que é uma expressão que Deus usa repetidas vezes na Bíblia por meio dos autores por Ele inspirados para nos trazer esperança; por outro lado, é uma manifestação de fé absoluta no Pai que tem o controle de tudo no universo por Ele criado; é a manifestação de confiança irrestrita de quem crê nos propósitos soberanos dAquele que rege o universo desde os tempos eternos com supremo amor e zelo perfeito; é a convicção de que as circunstâncias do presente são transitórias, enquanto que o futuro que Deus tem preparado para os Seus é maravilhoso e permanente, alçando-se muito acima de tudo o que possamos imaginar de mais extraordinário, belo, bom e feliz; é uma declaração de confiança inabalável no agir benigno, amoroso e dadivoso do nosso Pai Eterno em favor de Seus filhos desesperadamente dependentes dEle e que creem que há um porvir glorioso à sua espera; é a plena e insofismável crença de que, após a tempestade passageira que nos assola, virá a bonança eterna, “Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós”, assegura de forma alentadora Paulo em Romanos 8.18.

 

Neste sentido recordamos a conhecida e maravilhosa história de George Müller, instrumento poderoso de Deus que viveu em Bristol, Inglaterra, no século XIX, e foi um exemplo marcante de alguém que cria que ainda que as circunstâncias humanas com as quais lidava fossem altamente desfavoráveis, o Senhor, no momento oportuno, viria em sua ajuda. Pastor, evangelista e missionário, tornou-se notável por sua fé inabalável na providência de Deus que jamais deixou de suprir todas as necessidades da obra de assistência às crianças desamparadas para a qual o havia chamado.

 

Ainda que nada pedisse às pessoas, no entanto rogava a Deus fervorosamente pelo suprimento das carências permanentes dos orfanatos que havia fundado, onde as crianças abandonadas recebiam roupas, alimento e boa educação, e invariavelmente era atendido, comprovando a confiança em Deus que Davi expressa no Salmo 27.10 (NTLH), ao garantir que “… se meu pai e minha mãe me desampararem, o Senhor me acolherá”.

 

E foi assim que, ao longo de vinte e um anos, George Müller, literalmente de joelhos, cuidou de quase 2.000 crianças nos cinco lares que criou, sempre sustentado pela graça de Deus que, nas ocasiões em que se apresentavam as necessidades dos infantes, jamais deixava de vir prontamente em socorro, ainda que as circunstâncias de escassez de recursos que enfrentava pudessem ser francamente desanimadoras para alguém que fosse cético.

 

Por isso, ainda que vivamos dias turbulentos, ensombrecidos, confusos, e não consigamos descortinar nem ao menos o horizonte mais próximo, nossos corações, embora confrangidos, guardam a certeza de que o Senhor tem o controle de tudo e que sob a Sua mão dadivosa estamos completamente seguros; ainda que as trevas do mal nos cubram, sabemos que, acima das nuvens tempestuosas, escuras e densas, brilha a luz de Deus que dissipa toda a escuridão e ilumina até os mais recônditos espaços ora envoltos em espesso negrume maligno; e assim podemos nos regozijar, ecoando as doces, alvissareiras e luminosas palavras de Davi no tão conhecido Salmo 23, verso 4: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam”.

 

Confiados, portanto, em nosso Sublime Pastor, Jesus Cristo, que nos tranquiliza afirmando em João 10.11, “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas”, sabemos que não devemos temer qualquer perigo, ameaça ou dificuldade, porque somos abençoados pela Sua presença, pelo Seu amor e pelos Seus cuidados tão especiais.

 

Ainda que os governos humanos falhem, sejam incompetentes, insensatos, e ainda que o povo aja de forma inconsequente, egocêntrica e irresponsável, temos conosco e por nós Alguém que nunca falha, que está sempre atento para nos salvar, como cantam os filhos de Coré no Salmo 46.1-3,7,10: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações. Portanto, não temeremos ainda que a terra se transtorne e os montes se abalem no seio dos mares; ainda que as águas tumultuem e espumejem e na sua fúria os montes se estremeçam”, porque “O SENHOR dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio”, e só nos cabe então obedecer humildemente à exortação divina: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus…”.

 

Ainda que, por vezes, em meio às tribulações da vida que nos abatem e nos deixam desesperançados, pareça que Deus se esqueceu de nós ou que por alguma razão Se recusa a ouvir nosso clamor e súplicas insistentes, Ele na verdade está pondo à prova a nossa fé, a nossa perseverança, a nossa fidelidade e o nosso caráter, para poder usar-nos em Sua obra em momento oportuno, e mostra que jamais olvida de nós em Isaías 49.15, afirmando: “Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti”.

 

Ainda que nossas circunstâncias tentem controlar nossos sentimentos, como poderia ter acontecido com o profeta Habacuque, perplexo diante da vida, seu livro consiste em uma defesa da bondade e do poder de Deus frente à existência do mal, quando então proclama a sua fé no agir do Senhor. Assim, ainda que algumas vezes tenhamos a impressão de que nada faça sentido para nós, que os problemas que vivenciamos pareçam ser maiores do que podemos suportar, como cristãos devemos tirar o foco das nossas dificuldades e olhar para Deus, espelhando-nos no exemplo e nas palavras de Habacuque 3.17-18, louvando a Deus: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação”.

 

Ainda que o desamor provocado pela conjuntura perversa que nos afeta procure nos dominar, devemos lembrar que o amor ágape, que pensa nos outros e não em si mesmo, é o que deve preponderar. É um princípio básico da vida cristã edificado sobre a obediência ao nosso Deus que é Amor, e que por isso deseja que O amemos acima de todas as coisas e ao nosso próximo como a nós mesmos, que Paulo define como o caminho mais excelente, assim descrevendo-o em 1 Coríntios 13.1-3: “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei. E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará”.

 

Senhor Bendito, estamos certos de que esta abençoada conjunção adverbial, – ainda que, com a qual Tu nos confortas – acena para o bem renovado e inaudito que está prometido aos Teus e que logo virá, transformando dias de intensa agrura e sofrimento em novos tempos de paz banhados pela intensa e prodigiosa luz que emana de Ti; ainda que é a garantia explícita que nos dás de que, apesar dos momentos tão difíceis, vivemos apenas um preâmbulo dos tempos gloriosos que virão, pois Tu tens poder absoluto sobre tudo e breve nos concederás dias de grande alegria e contentamento, porque Tuas promessas nunca falham. Assim oramos agradecidos em nome de Jesus. Amém.

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