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O SAL DA TERRA

O cristão vive no mundo em meio a todos os descompassos, agruras e desajustes da vida terreal, mas não pode ser uma ilha isolada, cercada por um mar de iniquidade, pois está no mundo, e embora não seja adepto das coisas do mundo, precisa manter uma relação sábia com a humanidade, baseada nos princípios que Jesus ensinou.

 

A Palavra de Deus nos permite observar que estes dois fatores – viver no mundo e para Deus – embora corram paralelos um ao outro, recomenda que ele tenha uma mente e uma perspectiva diferente daquela do homem mundano, o que não significa que deva afastar-se completamente da vida ativa do mundo, como prega o monasticismo, que ensina que viver a vida cristã significa retirar-se da sociedade para viver contemplativamente enclausurado.

 

E é Jesus que nos ensina em Mateus 5.13 que “Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens”, e Pedro, no segundo capítulo da sua primeira carta, versículo 9, pondera sabiamente  que “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz…”.

 

Jesus comparou Seus discípulos com o sal, pois eram para o mundo o que o sal faz no cotidiano das pessoas: tempera a comida, impede a deterioração e realça o sabor do alimento, e é dessa forma que aqueles que O seguem acrescentam ao mundo o tempero da vida eterna, cooperam para evitar a deterioração dos valores que Ele trouxe a nós e despertam o que é verdadeiro, sublime e puro na existência humana.

 

Por isso o discípulo tem a função essencial, incomparável, de ser o sal da terra, isto é, de viver de acordo com o padrão de discipulado que Cristo ensinou nas bem-aventuranças e ao longo do Sermão do Monte. Caso ele falhe na manifestação dessa realidade espiritual, seu imperfeito, deficiente testemunho será pisado impiedosamente pelos homens, pois o mundo se regozija quando um crente é infiel ao dar um mau testemunho de Cristo.

 

Da mesma forma, os cristãos são a raça eleita por Deus desde sempre para pertencer a Cristo, pois, como diz Paulo em Efésios 1.4, Ele “… nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele…”. No entanto, ao invés de ser uma raça terrena, simplesmente originada a partir dos mesmos antepassados e com as mesmas características físicas, os cristãos constituem-se em um povo celestial, de ascendência divina e semelhanças espirituais. Também são sacerdócio real que tem a incumbência de proclamar as virtudes de Deus, indo ao mundo com o propósito de testemunhar de Jesus, e como Igreja constitui-se na nação santa do Senhor, Sua propriedade exclusiva que a Ele pertence de forma singular e particularmente valiosa. E se antes andávamos tateando como cegos na escuridão do pecado e da vergonha, por meio de um livramento miraculoso fomos transportados para o reino do Filho do seu amor!

 

Portanto, se somos humildes de espírito, misericordiosos, mansos e temos fome e sede de justiça, a fim de que, em certo sentido possamos ser o sal da terra, é preciso considerar que esta não é apenas uma descrição das qualidades do crente, mas uma radical contraposição ao mundo em que ele vive. Porque a humanidade que não foi ainda regenerada em Cristo, revela a podridão de um mundo decaído, pecaminoso e mau e cada vez mais mergulhado em trevas, imundo em todos os sentidos e dimensões, assemelhando-se à carne putrefata que dissemina o mal sem cessar, contagiando a tudo e a todos, por toda a parte.

 

Por isso, há uma pergunta que não quer calar: o que futuro reserva para a humanidade? E para responder a essa questão crucial, é preciso que tenhamos no centro de tudo a doutrina bíblica, do contrário qualquer predição será falsa, pois o mundo é mau, está cada vez mais mergulhado no pecado, na maldade, no egoísmo, no materialismo, e o que guia as atitudes das lideranças mundiais é o personalismo, a corrupção e a violência institucionalizada que só aumentam por toda a parte, contaminando o mundo por inteiro.

 

Mas, na contramão da mundanidade vigente, Jesus proclama: “Vós sois o sal da terra…”! O que isso significa? Que precisamos, antes de mais nada,  ser diferentes das pessoas do mundo, lembrando que nós, como o sal que, – mesmo quando aplicado em pequenas quantidades é essencialmente oposto à matéria sobre o qual é colocado, – pode produzir uma enorme diferença, pois o crente é uma pessoa essencialmente distinta das demais criaturas humanas que não têm Cristo, e essa diferença básica, essencial, fulcral, deve sempre ser ressaltada e enfatizada.

 

No entanto, quando somos verdadeiramente santificados, passamos a irradiar certa influência pessoal nos grupos aos quais eventualmente estejamos ligados, mas a dificuldade é que, se o nosso sal eventualmente perder o seu sabor, e então nossa conduta passar a se assemelhar à atitude geral dos demais, nossa função de sal que faz a diferença para melhor, infelizmente tende a desaparecer, sufocada pela força dos incrédulos. Mas, quando um homem, mesmo trabalhando como simples operário, é um crente autêntico cuja vida tenha sido salva e ele esteja sendo transformado pelo agir do Espirito Santo, seu poder de transformação de todos à sua volta é muito grande.

 

Por isso, como cristãos, estamos sendo convocados a ser sal na terra, cada um de nós constituindo-se em uma pequena porção de sal que pode afetar uma grande massa de incréus perdidos, desviados, caminhando rumo à própria destruição total, à morte eterna. Por isso, cada um de nós em sua área de atividade, desde que tenhamos uma firme determinação de seguir a Cristo e sermos Seus instrumentos práticos de transformação, podemos fazer a diferença na vida de tantos quantos o Senhor colocar em nosso caminho.

 

O famoso pregador e notável servo do Senhor, D. Martin Lloyd-Jones, em seu livro Estudos no Sermão do Monte, diz que “A grande esperança da sociedade atual consiste em um número cada vez maior de crentes individuais. Que a Igreja de Deus concentre seus esforços nesse particular, não desperdiçando tempo e energias em questões que estejam fora de sua área. Que o crente individual certifique-se de que possui essa qualidade essencial representada pelo sal, e que, por causa daquilo que o crente é, sirva ele de repressor, de controle, de antisséptico que atue sobre a sociedade, preservando-a de uma imundície inundante, que talvez equivalha ao retorno à Idade Média, a era das trevas. (…) Somente você, eu e outras pessoas como nós, pessoas crentes, é que podemos impedir tal estado de coisas. Que Deus nos propicie graça para cumprirmos o nosso papel. Que o Senhor desperte em nós o dom que nos deu, tornando-nos pessoas tais que, verdadeiramente, sejamos semelhantes ao próprio Filho de Deus, influenciando a todos quantos entrarem em contato conosco”.  

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