março 2012

Reflexões Sobre a Existência Humana: Morte

A morte é um mistério, uma incógnita, uma ameaça para o ser humano, e dependendo de sua maturidade espiritual, ela se apresenta de formas diferentes. Por exemplo, um enfoque especial foi dado por duas crianças que estavam brincando no pátio da igreja no intervalo da escola dominical, após terem aprendido sobre Adão e Eva, e uma delas perguntou: “Como foi mesmo que eles morreram?”, ao que a outra respondeu: “Ora, comeram maçãREAD MORE

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Sundar Singh – O Apóstolo dos Pés Sangrentos

Nascido em 3 de Setembro de 1889 em Rampur, em uma região chamada de Patiala no norte da Índia, foi criado em uma família rica. Sundar foi educado sobre os ensinamentos do hinduísmo e junto com seus pais freqüentava os templos hindus. Com a morte de sua amada mãe, quando tinha 14 anos, sua vida mudou drasticamente. Tornou-se desequilibrado e agressivo e não conseguia encontrar a paz prometida por sua religião. Por decisão da família ele foi matriculado numa escola cristã, única no local com o ensino secular desejado, ressalvando-se porém que se manteria no hinduísmo. Mesmo que a contragosto, lá teve que ouvir falar de Jesus, no entanto estava convencido de que o que Jesus havia ensinado era completamente errado, tendo chegado até mesmo a atirar pedras contra pregadores e encorajado outros a imitá-lo. Seu ódio aos missionários locais e aos cristãos em geral culminou com a queima pública de uma Bíblia que ele rasgou página por página e atirou às chamas.

Ainda assim, por mais que tentasse, não conseguia encontrar a paz que tinha buscado em sua própria religião, escrevendo mais tarde: “… e assim decidi abandonar tudo e acabar com a vida. Três dias depois de queimar a Bíblia, levantei-me às 3:00 horas da manhã, tomei o banho usual e orei: ‘Ó Deus – se é que Deus existe – mostra-me o caminho certo ou eu me mato! Se não encontrar a paz, porei a cabeça no trilho do trem, e quando vier o comboio das cinco ali morrerei.’ Tinha a impressão de que encontraria sossego na outra vida, se não encontrasse nesta, e ali fiquei orando continuamente, sem obter resposta. Às quatro e meia vi algo que nunca imaginara antes: uma grande luz no aposento. Pensei que fosse um incêndio. Olhei ao redor, mas nada descobri. De repente veio-me a idéia que isso podia ser a resposta de Deus, e  enquanto orava e continuava olhando para a luz, vi o vulto do Senhor Jesus Cristo. Era uma aparição gloriosa, plena de amor. Fosse alguma encarnação hindu, eu me teria prostrado diante dele. Mas era o Senhor Jesus Cristo que poucos dias antes eu insultara. Senti que essa visão não poderia ser fruto da imaginação. Uma voz então me disse em hindustani: ‘Até quando me perseguirás? Eu vim salvar-te; oravas para conhecer o caminho verdadeiro. Por que não o tomas?’ Veio-me à mente uma idéia: ‘Jesus Cristo não está morto, mas vive, e este é Ele mesmo!’ Caí a seus pés e senti a paz maravilhosa que não havia encontrado em nenhum outro lugar. Era essa a paz que eu buscava. Aquilo era o próprio Céu. Quando me levantei, a visão tinha desaparecido, mas a paz e a alegria permaneceram comigo para sempre. Saí e fui dizer ao meu pai que me fizera cristão. Ele me respondeu: ‘Vai deitar-te e dormir, anteontem mesmo tu queimavas a Bíblia, como me vens agora dizer que és cristão?’ Respondi: ‘Agora sei que Jesus Cristo está vivo e decidi segui-lo. Hoje tornei-me Seu discípulo e passei a servi-Lo”.

Sundar queria ser batizado, e embora sua família tentasse impedi-lo, ele estava determinado. Em 1905, em seu aniversário de 16 anos, foi finalmente batizado em uma igreja inglesa, em Simla. Tendo-se tornado um cristão, foi renegado pelo pai e condenado ao ostracismo por sua família. Em 16 de outubro de 1905, Sundar vestindo uma túnica amarela para parecer com um sadhu, um asceta hindu, descalço e sem provisões, carregando apenas um Novo Testamento, reiniciou sua vida nômade indo de aldeia em aldeia, mas desta vez seguindo os passos de Jesus. Ele estava convencido de que esta era a melhor maneira de apresentar o Evangelho ao seu povo, vestindo-se como um monge andarilho. Também queria ser livre para se dedicar ao Senhor, e deste momento em diante a vida de Sundar Singh tornou-se mais semelhante à de Cristo.”Eu não sou digno de seguir os passos do meu Senhor”, ele disse, “mas como Ele, eu quero ser sem lar, sem posses. Como Ele eu pertenço à estrada, compartilhando o sofrimento do meu povo, comendo com os quem me dão abrigo, e contando a todas as pessoas  sobre o amor de Deus.” Abandonado pela família e pelos amigos, tornou-se evangelista itinerante, tendo atravessado o Himalaia várias vezes, sob frio intenso, atacado por feras e salteadores, com o propósito de levar a Palavra a quem vivia na mais crassa ignorância das coisas de Deus. Pregou depois na Inglaterra, em diversos países da Europa e nos EUA.

Sundar Singh passou por muitas experiências de feroz perseguição por conta do cristianismo que pregava. Foi na cidade de Rasar que o jovem pregador primeiro travou conhecimento com a perseguição que iria sofrer doravante. Ao começar a pregação alguém na multidão gritou que o santo homem queria mudar a religião deles e que a roupa que vestia não passava de disfarce. Os resmungos e os empurrões se avolumaram e cobriam-lhe a voz, e por fim empurraram-no para a casa do lama, que era a autoridade espiritual da cidade. Interrogado, disse a que vinha, mas quando tentou recomeçar a prédica, o lama, com um gesto feroz pronunciou a sentença condenatória e a multidão arrastou-o para o local da execução. No caminho, entre ameaças e insultos, um budista mais exaltado deu-lhe uma cacetada que inutilizou temporariamente seu braço. Detiveram-no junto de um poço seco que abria para o céu sua boca ameaçadora e fúnebre, com um cheiro nauseante de carne podre exalando do seu interior. Despiram-no e o jogaram no interior do buraco onde havia grande quantidade – tanto de ossos de homens há muito sepultados, quanto de corpos em putrefação.  Quando olhou para o alto, o círculo onde as faces ferozes dos inimigos se inclinavam para vê-lo, desapareceu, pois a boca do poço havia sido trancada, e o sadhu viu-se só no que podia ser chamado de vale da sombra da morte. Mas não estava ele a serviço de Cristo? E por quê Cristo não se manifestava, convertendo almas? As horas perderam a realidade e para o moço cuja alma se debatia entre o gozo de sofrer por Cristo e a dúvida, o tempo transformou-se numa planície gelada e sem fim, e assim se passaram três dias. Inerte, sentado entre os ossos e os cadáveres, aguardava a morte, quando a boca do poço se abriu e um vulto irreconhecível surgiu, negro contra o céu da noite. A voz, ampliada, era como o trovão, ordenando-lhe que agarrasse a ponta da corda. Tateando, encontrou-a e agarrou-se a ela como pôde. Sentiu então que era erguido, e seu corpo oscilou pesadamente de uma parede à outra, até que atingiu a superfície. Fortes mãos o agarraram e o colocaram em terra. O ar fresco invadiu-lhe os pulmões e tossindo, atordoado, ouviu como em sonho o ranger da tampa, e o som na fechadura. Olhou em torno, para conhecer o seu salvador, mas descobriu que estava só na escuridão noturna. Caiu de joelhos e deu graças a Deus. Amanhecia e ele adormeceu. Quando acordou, reiniciou a pregação. Como todos o julgavam morto, seu caso estava encerrado, e o tumulto e o susto foram enormes quando aquele fantasma surgiu. Novamente levado ao lama, narrou sua libertação. O lama tremeu de fúria, gritando: “A chave! Com quem está a chave do poço?” Amedrontados, os oficiais procuravam a chave, mas sem sucesso. Afinal, um dos presentes fez em voz baixa uma observação medrosa e, instantes depois, acompanhando os olhares, o lama levou a mão ao cinto, onde encontrou a chave. Sundar Singh foi expulso sem maiores violências e continuou a jornada. Mais tarde manifestou a tendência para crer que um anjo de Deus o libertara. Mas sempre foi discreto, e insistia que pouco importava saber se o libertara  um amigo secreto do cristianismo, ou outra criatura. Seu libertador real era Cristo, o agente que se encontrava atrás da mão que movera a chave era certamente o seu Mestre.

Ele gostava de ilustrar seus ensinamentos com parábolas que tirava de sua vivência cristã: “É bom sinal sentirmos que somos pecadores. Quando não o sentimos, estamos em perigo. Certa ocasião banhava-me no rio e mergulhei até o fundo da torrente. Sobre a minha cabeça havia toneladas de água, mas eu não sentia o peso. Quando subi à margem enchi de água uma vasilha e ela me pareceu pesada. Enquanto estava mergulhado não sentia o peso da água. O pecador também não sente o peso do pecado enquanto vive nele. Noutra ocasião, quando descia dos montes, sentei-me no portal de uma casa. Começou a soprar forte vento, que impeliu uma avezinha para o meu lado. De repente surgiu um falcão, pronto para a caçada. Atacada, a ave escondeu-se no meu regaço. Era um passarinho arisco, que sempre foge do homem, mas correu para mim na hora do perigo. Assim também o vento do sofrimento nos leva ao regaço de Deus. Quando vemos um grou imóvel à beira da água podemos imaginar, pela sua atitude, que medita na glória de Deus ou na excelência da água. Engano: ele permanece horas a fio imóvel, mas quando vê uma rã ou um peixinho, imediatamente se lança sobre ele e o engole. Tal é a atitude de muitos na oração: sentados à margem do oceano incomensurável do amor de Deus, abrigam unicamente o pensamento de obter favores especiais.“

Em 1906 Sundar Singh foi ao Tibete pela primeira vez em sua vida, e este país o atraía principalmente por causa da grande resistência contra o evangelismo. No final de sua vida tentou várias vezes a travessia do Himalaia, rumo ao Tibete, onde pretendia pregar o evangelho, e da última vez – era primavera – não se conteve: seguindo pela Estrada do Peregrino, em 1929, com 40 anos, contra tudo e contra todos, visitou o país novamente e nunca mais foi visto desde então.  Desapareceu, e por mais que o procurassem sumiu sem deixar vestígio. Sundar manifestou em si mesmo o versículo em Marcos 8:35: Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho salvá-la-á.

Ficou conhecido como o apóstolo dos pés sangrentos, pois sempre caminhava sozinho, descalço, e seus pés feridos algumas vezes deixavam um rastro de sangue nas trilhas por onde tinha passado.

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Reflexões Sobre a Existência Humana: Vida

Muitas pessoas mundanas dizem que não se deve levar a vida muito a sério, afinal ninguém sai vivo dela. Outros são tão intelectualizados que arvorando-se em “professores de Deus”, e saem pela vida proferindo palavras vazias que, para eles e para seus admiradores, representam o suprassumo da verdade. Suas atitudes lembram aquela conhecida história do sábio, que certo dia foi procurado por alguns escarnecedores que queriamREAD MORE

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